sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Memento


A muito tempo não encontro mais fôlego ou ânimo para escrever, parece que essa forma de expressão está se exaurindo de mim como muitas outras coisas também tiveram que se exaurir.
Então, numa certa tarde, recebo minha correspondência, achei que fosse alguma conta ou propaganda, foi quando percebi que era uma carta que parecia vir do passado, de anos atrás... Foi a carta de uma amiga, daquelas que, mesmo com os impecilhos que a vida nos impõe, sempre estará nas nossas lembranças... E ela falava de tempos felizes, de momentos que eu só revia nos sonhos... Falava de coisas antes enterradas com pedras por outrem, coisas classificadas como simplesmente passado... Confesso que, para mim, essas coisas não são simplesmente passado, são uma parte de mim, talvez a melhor parte, a pura, a feliz, a alegre...
E aquelas tardes eram quentes, tinham de tudo para a monotonia, mas eram alegres, o ar estava cheio de segurança, amor e amizade... Da uma certeza incipiente de mãos dadas e vidas entrelaçadas... E nossa celebração era simples mas que nos saciava, foram essas reminiscências que essa carta me trouxe, foi a lembrança do que foi dito e dos lanches com biscoito e suco de pacotinho... Então, quando visitei novamente a cidade palco da história, deixei uma bolsa cheia de biscoitos e pacotinhos de sucos de vários sabores, alguns dos que provávamos, outros novos, assim como nossas novas sensações cotidianas... E na bolsa das guloseimas estavam estas palavras que compuz cantadas na minha mente como salmos e regadas a lágrimas de saudades:

"Onde estariam as lembranças?
Talvez vivam no mundo das esperanças
Onde as saudades repousam
E onde os mais lindos sonhos ousam
Ousam lembrar...
Ousam desejar...
Desejar voltar ao passado
Onde o amor é mais expressado
Expressado na fraternidade
Expressado na amizade
E que os tempos amados
Assim sejam celebrados
E nas tardes juvenis meu coração irá se pôr
E que tudo reviva ao mesmo sabor..."

Será que no paraíso poderemos reviver os melhores momentos da nossa existência?


Fabrício Tavares Cunha de Almeida

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Epístola

(Baseada na carta de Ludwig Van Beethoven à sua Amada Imortal)

Meu amor, meu anjo, minha vida,

Escrevo-te mais algumas palavras, sempre achando minhas frases deveras tímidas frente ao universo em expansão que tenho por dentro.

Não sei o que será de mim, sigo sempre à espera...

Por que essa tristeza tão profunda? Por que esse frio? Se estivesse contigo, não seria assim. Tenho que te ver.

Por mais que sintas, saiba que eu a amo mais. Não importa onde eu esteja ou para onde eu tente ir, você sempre estará comigo. Já não sei como viver plenamente sem contigo estar. Somente seu sopro me faz a existência suportável.

Caso eu fosse um pintor, iria te imortalizar na mais bela imagem já pintada; se fosse um compositor, iria compor uma sinfonia que subjugaria até mesmo um coro de anjos; se fosse um poeta, escreveria em ouro e lágrimas poemas que fariam transbordar até os homens mais duros; se fosse um profeta, faria um salmo a ser recitado por milênios, como não sou nada, receio que possa te dar apenas meu amor mais puro, meus sonhos... “Meus sonhos se espraiam sob seus pés... Por favor, pise delicadamente, está pisando nos meus sonhos...”

Logo ao acordar, meus pensamentos se voltam a ti, ao trabalhar e ao me deitar, lá estão eles... Alguns alegres e outros tristes... Anseio por você até as lágrimas... Todos os meus dias...

Assim que a vi pude sentir que você seria a minha vida... Sigo então esperando que o destino nos ouça. Você é meu tudo, minha vida... Ontem, hoje, sempre...

Tentarei dormir agora... Fique com meu amor... E em meus sonhos...

Para sempre seu...

Fabrício Tavares Cunha de Almeida

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Fim de tudo


Por que tanto vivemos?
Tudo superamos
Resistimos à raiva, dor, tristeza de tudo fazemos
Como os mosquitos ou sem saber o porquê, será que é para crescer, reproduzir e, finalmente, morrermos?

De que vale o constante sentir
Se a outro não puder repartir?
Desde a minha infância tive esses sonhos
Após tanto tempo começaram a lhe serem enfadonhos

Dantes tão belos, suaves e puros...
Agora parecem espinhos, implacáveis e duros
Do que vale o eterno amar
Se todo o amor em apenas lágrimas acabar?

Bem-aventurados os que amam de verdade
Com tanta resignação às inúmeras tribulações aguentam
Sem saber como, onde nem por que... nada perguntam
E talvez seu sentimento mais grato seja apenas a saudade

De que vale o contínuo chorar
Se as lágrimas ninguém enxugar?
Quem tão encarecidamente você amou
Nada mais pode retribuir, tudo se acabou

Haverá uma existência assim que o amor parta?
Antes seu significado era absoluto
Motivos, razões, inspirações, anseios, tudo...
Poderia um ser vivente sobreviver sem que seu coração bata

Por não sentir ninguém pode ser culpado
Pelo menos que haja algum respeito
E que seja condenado pelo que palpita amaldiçoado dentro do peito
E pela grandiosidade ingênua e tola dos seus sentimentos seja imolado

Nada mais piedoso que acabar com o sofrimento de tão infeliz criatura
Nada mais justo do que pelas mãos que tanto acariciou, à paz seja entregue, e não ser mais açoitada
Se nada mais tiver que restar, pelo menos a compaixão perdura
Que o amor me salve, já que minha incontinência ao amar demais tornou minha alma condenada

Que nenhum pecado ou crime com relação a mim lhe seja imputado
Apenas sua bondade ao libertar um agonizante condenado
Seja estrela, brilhe em outro céu, da sua história já não farei mais parte
Mas peço que seja benevolente, piedosa e me mate...

Fabrício Tavares Cunha de Almeida

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Prece


Deus de piedade

Suplico para que sejas indulgente

Que o espírito inquieto descanse

Conduza minha alma para um lugar onde não há lágrimas, soluços nem pesares...

Onde não haja feridas, sofrimentos, apreensões e angústias...

Para um lugar onde o amor não é retribuído com chagas

Onde meus olhos não tenham essas visões

Onde meus ouvidos não ouçam esses gritos

Um local para quem quer cultivar amor no coração

Um lugar onde os afagos são sentidos

Onde os beijos sejam sinceros

Onde os abraços sejam calorosos

Onde não há calor nem frio

Um lugar como aqueles dos sonhos

Um lugar onde os sonhos mais doces sejam realidade

Amém...

Razão


Não me ame pelo meu corpo, pois ele perecerá...

Não me ame pelas minhas palavras, pois um dia elas se calarão...

Nem me ame pelo meu sorriso, um dia ele cessará...

Não me ame pelos meus bens, um dia eles acabarão...

Ame-me apenas pelo amor, esse laço invisível que Deus nos oferece para que tenhamos a salvação.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Saudades



Ontem estava pensando em como é inconscientemente preferível às pessoas lamentar oportunidades perdidas a aproveitar as chances que temos.

A mim é bastante aprazível esperar em terminais rodoviários, pois lá eu posso testemunhar uma das coisas mais agradáveis: a expressão menos tolhida da saudade. Nesses lugares podemos ver como umas pessoas fazem falta para outras, como são queridas, amadas... É emocionante ver aqueles abraços apertados e demorados... E beijos tão sinceros...

Mas há um lugar ainda melhor para presenciar essas transcendências humanas, um lugar que remete a um sentimento inexoravelmente profundo, uma dor lancinante e desesperadora, um choro que não quer ser consolado, lágrimas torrenciais que não querem ser enxutas: o cemitério. De todas as vezes que presenciei esse espetáculo de dor, uma vez me chamou especial atenção, quando um senhor de idade, devia ter lá seus 75 anos, chegou com uma postura fria, digna de um oficial alemão, e se recurvou para acender uma vela no sepulcro da falecida esposa. De início manteve a postura por uns instantes, enquanto limpava as folhas secas do mármore, depois as rugas daquele rosto seguro e velho começaram a aumentar na região dos olhos, foi quando ouvi um ruído meio abafado e parei de olhar o túmulo da minha família, ele estava tentando conter o choro... Perguntei se ele estava precisando de ajuda, mas nem me respondeu. Depois comecei a imaginar o que se passava, mas foi só quando um conhecido que ali estava me contou uma história que entendi o porque das lágrimas. Aquele senhor sempre foi um homem muito rígido e machista, quase nunca falava palavras carinhosas ou demonstrava atenção pelos entes queridos, traiu muitas e muitas vezes a esposa, que nunca o abandonava, suportava em silêncio, cuidou dele em todas as horas, nunca o abandonou, apenas sofria calada... Até que uma úlcera lhe tirou a vida... Foi quando esse homem se viu só, sem a única pessoa que o amava, e a quem ele também deveria amar, só que estava perdendo para si mesmo, a própria frigidez, e não conseguia mostrar sequer um afago àquela alma que sempre o cuidou como um verdadeiro anjo da guarda.

Após tudo isso fico pensando como duas almas que caminham juntas por tanto tempo acabam assim... É tão triste... Parece que toda a existência não serviu de nada... Mas penso que tudo isso é um modo de percebermos como poderíamos viver melhor, que as pessoas que nos amam e que amamos nos são como verdadeiros presentes divinos que podem partir a qualquer momento e que não é fraqueza alguma demonstrar apego. Creio que sempre há uma sensação de que tudo poderia ter sido melhor, mas, lembrando disso, espero não lamentar tanto, mas agradecer a Deus por ter vivido ao lado das pessoas que vivi, e, ao fechar meus olhos, espero não causar dor, mas uma doce gratidão e uma suave lembrança, daquelas que vêm acompanhadas de um singelo sorriso...

Fabrício Tavares

segunda-feira, 10 de março de 2008

Amigo distante


Amigo, la familia podemos elegir

La familia con un vínculo sagrado

La familia sin sangre

Mi mente no es una tierra extranjera a usted

Incluso con miles de millas de mí,

Sus palabras tocan mis sentimientos

Cuando agitamos nuestras manos, aunque sólo en palabras

Si usted puede sentir la divina bendición de un amigo

Usted tendrá la misma seguridad que su ángel de la guarda podría darle

Amigos se cuidan unos a otros

Amigos se ayudan unos a otros

Amigos rezan unos por los otros,

Cuando encontramos un verdadero amigo,

Las escamas se caen de los ojos y podemos ver

Podemos ver por fin una de las razones más importantes para la salvación

Por fin nos sentimos uno de los más maravillosos abrazos de nuestras vidas

Y, al final de mi vida, sólo queda dar las gracias con las más bellas oraciones a Dios porque yo lo he tenido a usted en mi vida.

Fabrício Tavares Cunha de Almeida